Ao puxar pela memória quando se deu o meu primeiro contato com a palavra escrita, surge à imagem de um grande baú onde minha mãe guardava, como um tesouro, uma coleção de revistas: Cruzeiro, Grande Hotel, entre outras. Às vezes eu e minha irmã tínhamos permissão para pegar algumas das revistas e folhear, sempre sob os olhos cuidadosos e receosos de minha mãe. A saída encontrada por ela para manter intacto o seu acervo, foi apresentar-nos os gibis e revistinhas de colorir, ligar pontos, etc. Assim, ao chegar ao jardim de infância, o hábito de ouvir estórias, folhear livros e revistas já havia se instalado.
À medida que o tempo foi passando
os gibis foram substituídos por livros infantis com pequenas estórias, contos
de fadas e também, quando alfabetizada, a responsabilidade de manter contato
através de cartas com meus primos e primas, tios e tias, residentes em
Portugal. Familiares do meu pai que sozinho imigrou para o Brasil!
Foram anos e anos de
correspondência, aprendendo um pouco sobre cada um, conhecendo um pouco da
rotina para enganar a saudade que o meu pai tinha destes entes queridos e
aproximar quem se encontrava a um oceano de distância.
Hoje, ao retornar de uma viagem
onde pude encontrar pessoalmente as pessoas e conhecer os lugares descritos nas
cartas, pude constatar que podia reconhecer cada um deles! A escrita e a
leitura já os tinha integrado à minha vida.
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